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Wednesday, September 28, 2011

Se ela dança...


Desengonçada, ela adentrou a classe. Não tinha dois meses que ia àquela academia, quase que diariamente, em busca de uma silhueta que combinasse com suas roupas justas. Queria ganhar mais flexibilidade também. Quem sabe poder cortar a unha do pé sem tanto malabarismo e sofrimento. Só se deu conta de que a aula não era de alongamento quando viu as colegas de sapatilha. Balé! “Vixi, dancei, literalmente”. Ela parecia uma marionete descontrolada na aula. As colegas riam. A professora ria. A academia todo ria. E não lhe restou alternativa, senão rir de si mesma. E depois daquele vexame todo, ela desistiu da silhueta e se conformou em gastar com a pedicura.

(da série microcrônicas, por Ewerthon Tobace, 28/09/11)

Tuesday, September 27, 2011

E agora?

“E agora? Não sei mais o que será da minha vida”. O choro, inevitável e incontrolável, tomava conta daquele senhor há dias. Ele não tinha mais referência. Perdeu casa. Perdeu trabalho. Perdeu familiares. Assim como a cidade e o porto de Minami Sanriku, uma vila de pescadores na província de Miyagi, suas esperanças foram levadas pelo tsunami. O lugar hoje praticamente não existe mais. As águas carregaram tudo. Quase tudo. Sobrou pouca coisa. E em meio aquele vazio todo, não me sai da cabeça aquele olhar do senhor de cabelos ralos e brancos. Triste, perdido no horizonte. O mesmo horizonte que escondia um céu avermelhado de fim de tarde. Lindo, calmo e sereno. E agora?

(da série microcrônicas, por Ewerthon Tobace, 27/09/11)

Monday, September 05, 2011

Pray for Japan

Vi o vídeo no Facebook e queria divulgar aqui também.



Há um tempo escrevi um post sobre essa música, 上を向いて歩こう (Ue wo Muite Arukou), que ficou mundialmente conhecida como "Sukiyaki".

Este vídeo foi feito para ajudar de alguma forma as vítimas do terremoto e do tsunami de março passado e é emocionante.

Uma curiosidade: dia 12 de agosto (segunda-feira que vem) fará 26 anos que o intérprete original dessa música, Sakamoto Kyu, morreu.

Espero que gostem.

Tuesday, September 01, 2009

Complemento

Só para completar a notícia de política do post anterior...
Ontem, fiz um boletim de rádio sobre política para a BBC Brasil. Ouçam a matéria reproduzida pela rádio CBN.
PS: não prestem atenção à voz esganiçada (rsrs)

PS2: tirei o áudio porque tava atrapalhando. Quem quiser ouvir, por favor vá ao site da CBN e procure por notícias de Japão.

Monday, August 31, 2009

Oposição vence no Japão



O resultado é histórico destas eleições para a Câmara Baixa do Parlamento japonês. O Partido Democrático do Japão (PDJ) deu um fim à hegemonia de 54 anos consecutivos do Partido Liberal Democrático (PLD). Das 480 cadeiras em disputa, o partido oposicionista conquistou 308.

Agora, Yukio Hatoyama, líder do PDJ, deve assumir o cargo de primeiro-ministro no lugar de Taro Aso. O político comemorou muito a vitória e disse à imprensa local que o Japão "pedia por mudanças profundas na política". "Essa eleição veio para mudar tudo", vibrou.

Pelo que li e vi na tevê, a população ignorou os "velhos e manjados" políticos para expressar o descontentamento em relação ao desemprego e ao desempenho ridículo da economia local no último ano.

Na semana passada dois índices contraditórios foram divulgados pelo governo: o fim da recessão (com crescimento de 0,9% do PIB entre abril e junho) e o recorde de 5,7% no índice de desemprego (são mais de 3 milhões sem emprego), o pior desde o fim da Segunda Guerra.

Não acompanhei tão de perto essas eleições. Mas o suficiente para ver o desespero do então premiê Taro Aso. Na tevê, mostraram ele sendo corrigido algumas vezes por um assessor durante um comício, o que mostra que ele está assim tão comprometido com a política local.

Vamos ver o que esse Hatoyama vai fazer com a política imigratória, que é a que nos interessa. Segundo Angelo Ishi, sociólogo e professor da Universidade Musashi, não devemos esperar muito mais do que já estava sendo feito pelo governo. "A tendência é de endurecer e dificultar a entrada de imigrantes", prevê.

Wednesday, January 21, 2009

Não somos bem-vindos



Esse vídeo eu "roubei" do blog do Leandro porque achei legal divulgar para mais pessoas verem como muitos japoneses pensam a respeito dos estrangeiros em geral, mas principalmente em relação a nós brasileiros.

Mostra um destes nacionalistas japoneses falando sobre brasileiros, que não são bem-vindos no país.

"-O Japão é dos japoneses!Uma nação que construímos com nosso suor.O que vcs estrangeiros vem fazer aqui?Vcs não respeitam as boas maneiras,não respeitam as regras da nossa sociedade.Quando nós vamos pro exterior ,nós respeitamos as regras locais,porque vc não conseguem fazer o mesmo...?"

Eu penso da seguinte forma: não dá para generalizar e ficar fazendo protesto deste nível ai. Existe muitos (muitos mesmo) brasileiros que não estão nem ai para o Japão. Querem só sugar. Não receberam educação suficiente para entender que na casa dos outros a gente se comporta conforme as regras do lugar.

Mas não é a maioria. Concordo com o Leandro quando diz que esses "furiyo" (as pecinhas "estragadas", as "laranjas podres") deveriam ser enviados de volta pro chiqueiro deles. Mas as coisas não funcionam assim, infelizmente.

Tuesday, January 13, 2009

Cartas da guerra


Essa foi publicada na revista Alternativa, no final do ano. Mas como foi pouco divulgada pela mídia em geral, achei legal republicar aqui. Além do que adoro História. Mas antes de ir para os fatos, queria contar um detalhe da apuração da matéria. No caso, foi como consegui a foto. A imagem que vocês vêem ai em cima é Cortesia do Conselho de Educação da Prefeitura de Oita. É lá que foi parar a tal carta.

Liguei para o tal conselho, expliquei o que queria e eles disseram que não tinham a imagem. Só o museu local é quem tinha. Liguei para o museu e o "tiozinho" não quis saber de muito papo -- ele claramente não estava preparado para um pedido de imprensa. Recorri à Associação de
Intercâmbio Internacional, que ligou no Conselho de Educação e, 15 minutos depois, a mesma senhora que tinha me atendido na primeira vez me ligou e disse que estava enviando a foto pelo email. Ué, ela não disse que não tinha a foto?? Vai entender esses japoneses... Agora vamos à história:


Duas cartas encontradas no final do ano passado no Japão mudaram a imagem do almirante da Marinha Imperial Japonesa, Isoroku Yamamoto (1884-1943). “Se dependesse dos meus verdadeiros sentimentos (em relação aos ataques aos Estados Unidos) eu não seria capaz de seguir em frente com essa obrigação que me foi designada”, escreveu ele.

Caso tivesse seguido seus “sentimentos”, a história poderia ter sido outra. Yamamoto foi o mentor dos planos de ataque à base norte-americana de Pearl Harbor, na manhã de 7 de dezembro de 1941. O bombardeio culminou na entrada oficial dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e no início da Guerra do Pacífico.

O militar, na verdade, foi um forte defensor da solução diplomática para o conflito. Mas ele sabia que os partidários da via militar, cujo maior entusiasta era o almirante Osami Nagano, estavam cada vez mais perto de conseguir empurrar o país para a guerra.

Então Yamamoto tratou de elaborar o melhor plano possível para o complicado ataque. Mas o levante foi considerado um fracasso, pois os norte-americanos não só se recuperaram rapidamente, como responderam com ataques violentos ao arquipélago. Se tivesse sido outro o mentor da estratégia militar, talvez a história seguisse outro rumo.



Contra a guerra
A descoberta das cartas, uma datada em 31 de maio de 1938 e a outra em 8 de dezembro de 1941, mostram o verdadeiro sentimento do oficial japonês em relação à guerra. “Eu sou contra a vontade popular (de nos aliar à Alemanha e à Itália) e vou descobrir as dificuldades de pensar assim”, registrou na primeira mensagem. “Alguém sabe o tamanho da dificuldade de colocar a vida em risco por discordar de algo que é senso comum?”, questionou.

As correspondências originais ficaram em poder do vice-almirante Teikichi Hori (1883-1959), um grande amigo de Yamamoto, e estavam escondidas esse tempo todo entre os pertences do oficial na casa do neto dele.

Elas vieram à tona depois que pesquisadores do Arquivo Histórico descobriram que Yamamoto era contra o Pacto Tripartite – o acordo assinado em Berlim em 27 de Setembro de 1940 pelos representantes da Alemanha nazista, da Itália fascista e do Japão, e que formalizou a aliança conhecida como Eixo.

Akiko Yasuda, pesquisadora-chefe, contou à imprensa japonesa que eles haviam achado fragmentos das idéias de Yamamoto nos arquivos de Hori. “Mas tínhamos dúvida se as frases eram realmente do almirante. No entanto, a descoberta (das cartas originais) prova a veracidade”, disse.

Agora, as peças estão sob os cuidados do governo de Oita, província natal de Hori, e ficaram expostas ao público até o dia 14 de dezembro no Arquivo Histórico de Sabedoria Antiga da Prefeitura de Oita.