
Já vi quase de tudo nesses seis anos de Japão, mas o lado mais bizarro, estranho e engra

çado dos japoneses fui conhecer no primeiro de abril, em Kawasaki, na província de Kanagawa.
Que o arquipélago é o centro dos festivais (matsuri), ninguém tem dúvida. Há todo tipo de celebração por aqui. E, talvez, por falta do que comemorar, eles acabam inventa

ndo alguns festivais loucos, como o Kanamara Matsuri, ou Festival da Fertilidade. Mas eu prefiro traduzir como o Festival do "Bráulio".
Ele ficou famoso na década de 70, depois que uma boate gay doou o andor com um pênis gigante cor-de-rosa, que acabou virando o ícone do evento. O festival é realizado desde o século 17 e suas origens estão ligadas às prostitutas da Era Edo (1

604-1868), que faziam orações pedindo prosperidade e proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. Com o tempo, a celebração passou a atrair visitante em busca de um parto tranquilo, filhos saudáveis e harmonia no casamento. Há ainda as que vão pedir para ficarem grávidas.
Hoje, metade do

s que participam da festa são estrangeiros, atraídos é claro pela bizarrice do negócio. Mas os japoneses levam tudo muito a sério. Tem até criança que sobe nos "Bráulios" de madeira. Sim, a mulher que quer algum dos pedidos realizado tem de subir no "Bráulio". Tem homens (alguns corajosos) que também sobem. "É para ter fertilidade", desconversa um jovem japonês que entrevistei.

No festival há ainda barracas com lembranças inusitadas, todas com formato fálico (pirulitos, garrafas de saquê, copos, lenços com desenhos

do kama sutra etc). Há ainda uma atividade voltada para mulheres que queiram aprender a esculpir um lindo "piu-piu" num nabo ou na cenoura.
Enfim, é sem dúvidas um dos festivais mais estranhos e engraçados. Quem estiver por aqui não pode perder o próximo. Lembre-se: todo primeiro domingo de abril.