Wednesday, January 11, 2006

A Disney para adultos


Este final de ano foi um tormento!
Trabalhei muito. Mas ganhei um descanso dobrado. Bom, mas aí surgiu um problema: para onde ir, em cima da hora e com pouco dinheiro? Pensei em Saipan, já que minha irmã estava indo para lá. Mas desisti. Afinal, não sou muito fã de praia. Depois, falando com o Carlos (vocês vão ouvir falar muito dele. É o meu companheiro de viagens e de quase tudo), resolvemos ir para Las Vegas, mas o tempo correu contra e não tivemos como conseguir vagas em hotéis. Passagem até tinha...
Mas por falar em Las Vegas, quero compartilhar a imagem que tive da primeira vez que fui até lá...

A viagem até Las Vegas parece ter durado uma eternidade. Foram apenas nove horas, mas sentado naquela poltrona irreclinável, o tempo custou a passar. Olhava a todo instante para aquele mapa em que aparece a localização “exata” da aeronave. Tentava mover com o pensamento o desenho do avião, mas ele continuava lá, imóvel quase que o tempo todo.
Entediado, resolvi assistir a um filme. A lista de títulos até que não era tão pequena. Mas quem é que teria saco de assistir àqueles filmes? Desviava a atenção das cenas a todo instante. O pensamento corria prá lá e prá cá, sem parar em lugar nenhum, igual àquelas comissárias fora do padrão, rechonchudas, já em final de carreira, que iam de um lado para outro sem fazer absolutamente nada. Na hora de servir as angustiantes refeições e as famigeradas bebidas então... Elas mal se entendiam. Empurrar o carrinho parecia uma tarefa para Hércules e, a cada fileira de poltronas, ouvia-se um falso “I’m sorry”, que mais soava um “pouco me importa”. Também, com todo aquele volume na traseira era quase que impossível não esbarrar em algum pobre coitado que escolheu o corredor só para sair mais rápido ou não ter de pedir licença para ir ao microbanheiro.
Mas, como tudo um dia acaba, a viagem também chegou ao fim. Descer do avião é quase uma cerimônia. Mais sorridentes do que nunca, as comissárias de bordo (docemente chamadas de aeromoças) se despedem, com ares de “graças a Deus”, do bando, todo descabelado e com bafo de quem acaba de acordar.
A luta agora é para ver quem fica na frente na fila da imigração. De novo, os privilegiados da primeira classe chegam primeiro. Porém, ali percebo que (quase) todos são iguais. Negros, brancos, ricos, mais ou menos pobres (afinal, viajar de avião não é para qualquer um), políticos, empresários, trabalhadores braçais, artistas. Todos são obrigados a passar pela bateria de perguntas dos “quase-máquinas” funcionários da imigração, que olham para você com todo o desprezo possível. Vejo na cara (cara mesmo, não rosto) deles o prazer de se sentirem como as Meninas Superpoderosas (Power Puff Girls), com o poder de te deixar entrar ou não no país deles.
Na sequência, a mala (que sempre volta mais pesada das viagens).
Um detalhe interessante do aeroporto de Las Vegas é a existência (até lá!) daquelas máquinas de cassinos, todas lá, espalhadas por todo canto, chamativas, à espera de que os otários depositem dinheiro. Eu mesmo fui um deles. Na volta, resolvi arriscar mais um pouco. Mas, esperto como sou, acabei dando o golpe certeiro na barulhenta devoradora de moedas e fiquei com um parte do lucro dela. He, he, he.
Entrei na fila do táxi. Interminável. O ar condicionado trabalhava à todo vapor. Olhava as casas pelo vidro fosco do carro e, ia percebendo, aos poucos, o marasmo de vida daqueles que viviam naquela cidade levantada no meio do deserto. Olhava ao longe e não conseguia ver até onde as casas existiam. Tudo muito distante. Morar ali, só com carro na garagem!
Quente. A cidade é quente. Olhando para o asfalto se vê um vapor quente subir. Ao longe, tudo parece distorcido pelo calor. O bom é que lá é seco. Isso ameniza e tanto a sensação de calor. Que o diga quem mora no sudeste asiático.
No hotel, malas guardadas, bafo escovado, roupa trocada, é hora de conhecer a cidade. Saio com minha superpotente câmera (que não é digital) e, depois de me perder tentando achar a saída, dou de cara com a Strip, a principal rua de Las Vegas. Cheio de gente branca com a pele vermelha de tanto andar debaixo do sol, mexicanos tentando se livrar de panfletos de casas de striptease e velhos, muitos velhos (ou deveria chamá-los de idosos?) curtindo a aposentadoria que tardou mas não falhou.
E agora? Por onde começar? Visitar os hotéis é claro. A maior atração de Las Vegas são os hotéis. Luxuosos, imensos, imponentes. Uma loucura! Economia de água e de energia são frases que não existem no vocabulário local. Tudo muito colorido, cheio de fontes, luzes. Ganha mais quem conseguir atrair mais turistas abonados dispostos a gastar nos jogos. Cartazes com fotos dos recentes milionários alimentam a esperança de que eu serei o próximo a ganhar.
Resisto no primeiro dia à tentação. Quero é conhecer os hotéis, não se esqueçam. Vou ao mais distante ao sul (ou norte, sei lá). Compro um ingresso para um show e começo ali meu aprendizado (rápido) de como jogar. O negócio é simples. Você coloca dinheiro na bendita e aperta um botão (ou puxa, como nos filmes, a alavanca ao lado). A partir daí, você torce como louco para que dê três figuras ou desenhos iguais. Dependendo do que sair, o prêmio muda. Lógico, você torce é para que dê as figuras que pagam mais. Pura ilusão. E lá se foram US$ 5 dólares rapidinho.
Voltei à realidade. Quero é ver os hotéis. Vou para o próximo, uma réplica de pirâmide do Egito. Um luxo! Aliás, o nome do hotel é Luxor. Por que será?! Todo pomposo, preto. De noite, três faixos de luxes potentes saem pela ponta, cortando o céu preto até se perderem no infinito. Impressionante.
A lista de hotéis é tão grande que é quase impossível – além do que uma hora até cansa – ver tudo num dia só. Qual a graça de ver hotel? Vá até Las Vegas e descubra por conta própria. Eu gostei. Cada um tem uma atração diferente. Parques, shoppings, teatros, shows e, é claro, cassinos. Confesso que a idéia de ir para lá não foi muito empolgante no começo, mas agora, depois de duas viagens até lá, quero é ir sempre. E não pensem vocês que sou viciado em jogos (viu Karie, Shigueko e cia!). Gostei de lá. É uma Disney para adultos. Todos sabem que sou apaixonado por teatro e musicais. Lá tem. Gosto de parques. Lá tem. Gosto de luzes, brilho, hotéis chiques (olha meu lado metido se revelando). Lá tem. Gosto de fotografia. Lá há uma possibilidade infinita de fotos interessantíssimas. Enfim, eu gosto e o problema é meu.
Para o alto e avante!

3 comments:

Maíra said...

Essas longas viagens de avião são mesmo terríveis, lembrei de mim mesma, interminavel vezes olhando para aquele mapa do avião... Mas o que vem depois, geralmente, compensa isso. Ainda não conheço Las Vegas, mas deve mesmo ser muito boa!
Bem vindo ao mundo blogueiro!

Anonymous said...

Toda vez que escuto essa história de Las Vegas fico com uma imensa vontade de largar tudo e conferir com os meus próprios olhos a Disney para os adultos. Mas como não sou chique como o Ewerthon, meu sonho vai ter que esperar mais um pouco. hahahaha..... Mas acredito no ditado: "a esperança é a última que morre", então.... para o alto e avante!!! hahaha
Parabéns Ewerthon pela brilhante idéia e pelos textos maravilhosos!! Sou sua fã!!! E pode ter certeza que vou conferir todas as histórias!!!
Te adoro!!
Beijos,
Lucila

Shigueko said...

Las Vegas pode mesmo ser muito legal, mas vicio eh vicio...