Thursday, January 19, 2006

No Brasil ou no Japão?

Bom, preciso confessar para os que acham que eu ainda moro em Tokyo, a capital japonesa, que na verdade estou, de passagem, em Hamamatsu, na província de Shizuoka.
Para quem nunca ouviu falar nessa cidade, vou dar algumas pistas sobre ela. Às vezes, sinto que estou no Brasil tamanha a quantidade de brasileiros por aqui. É a cidade com maior concentração de brasileiros no Japão. São cerca de 17 mil! Então, além de comércio de produtos brasileiros, a gente encontra restaurantes, churrascarias, escolas com ensino validado pelo MEC, cabeleireiros, academias, auto-escolas, empresas de prestação de serviço, como transportadoras, aluguel de telefone, imobiliárias, empreiteiras, rádios... enfim, tudo (ou quase tudo) o que uma cidade no Brasil oferece.
Aqui nem é preciso falar japonês. Tudo quanto é lugar você encontra placas em português. Nos hospitais, clínicas, dentistas, prefeitura e até na polícia existem intérpretes.
Mas esse aparato todo não é exclusividade de Hamamatsu. Muitas outras cidades possuem tudo isso que acabei de citar. A diferença aqui é a quantidade de brasileiros. Diria que é quase a metade da população da cidade em que nasci: Monte Alto (SP). Minto. Acho que hoje, aquela pequena e pacata cidade no interior paulista já deve ter os seus 50 mil habitantes! Sinto saudades de lá. Morei pouco, mas ia sempre por causa dos meus parentes que ainda estão fincados naquela terra...
Bom, mas voltando ao assunto do tópico, para os que desejam um dia vir ao Japão, não se preocupem com o idioma! Em Tokyo, dá para se virar com o inglês. No interior, dependendo do lugar, dá para conseguir as coisas falando o nosso português!
Ah, e por falar em outros idiomas e placas, saibam que as coisas só melhoraram por aqui nos últimos dez anos -- para não dizer cinco. Quando cheguei, há cinco anos, eram poucas as linhas de trem em Tokyo que possuíam placas de sinalização e mapa de estações em inglês. Era tudo em japonês. Ou seja, estrangeiro sofria muito. As coisas mudaram depois da Copa do Mundo Coréia-Japão.
É isso por hoje. Para o alto e avante!

7 comments:

Raquel said...

Mentiroso! Em Tokyo ingles nao vale nada! e se a gente tenta advinhar como eles pronunciam as palavras inglesas só triplica o risco de dar um fora antológico. Ontem mesmo tive um vexame desse -- e na frente do Roger! Fui procurar um cachorrinho de porcelana numa loja e fiquei meia hora falando poruceran, poruceran...Eles não faziam a menor idéia do que eu estava dizendo...

has said...

Quando voce volta para Tokyo?

Para o alto e avante! said...

PARA RACHELL
Dá sim para se virar com inglês... não dá para pensar que está em Londres ou Nova York, mas o básico, nos pontos turístico e afins dá para negociar um inglês ma-ma...

Shigueko said...

Raquel, eu concordo com o Ewerthon... Lembra do meu ex-boy americano?? Ficava boba de ver ele falando soh em ingles em todo lugar ( correio, restaurante, lavanderia...) e sem mimica!!
Entao acho q uma dica eh, ao inves de tentar transformar as palavras do ingles em katakanes (como vc diz!!), eh melhor usar o ingles mesmo!! O katakanes tbem nao eh facil nao!! Pq se vc troca uma silaba, fica totalmente nonsense pra eles, eu acredito...
Ah, Ewerthon!! A comunidade brasileira de Hamamatsu eh maior que o da minha cidade entao, Junqueiropolis no oeste paulista!!

Karina Almeida said...

vou defender a raquel!

também acho que não dá para se virar com inglês em tokyo não. só se for em ponto turístico. mas a gente, que mora aqui, precisa se comunicar também no banco, na loja de conveniência, na estação de trem, nas lojas, no restaurante...

e português em hamamatsu é a mesma coisa. tenta falar com o motorista de ônibus em outra língua (que não seja japonês). ele vai achar que você é louco.

mas gostei do texto. e também gosto dessa troca de opiniões. escreva mais!

beijos.

Raquel said...

Pois é, eu adoraria passear todo dia em Tokyo, mas eu tenho de trabalhar, ir no supermecado, na farmacia, no banco e na loja de departamentos comprar coisas para ilustrar matérias do jornal. Alias era pra isso que eu estava procurando o tal cachorro de porcelana.

Raquel said...

Cris, quem disse que eles estavam entendendo o que o seu ex americano falava? Eles sempre respondem "Hai, hai", mesmo que não estejam entendendo bulhufas...